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Coleção de Fotografia "A Família Humana"

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Coleção de Fotografia "A Família Humana"

Detalhes do registo

Nível de descrição

Coleção   Coleção

Código de referência

PT/MVFX-MNR/COL/FOT-HUMAN

Entidade detentora

Registo Código Tipo de relação Datas da relação
Entidade detentoraMunicípio de Vila Franca de Xira. Museu do Neo-Realismo MVFX-MNR Entidade dententora

Título

Coleção de Fotografia "A Família Humana"

Dimensão e suporte

ca. 500 documentos fotográficos, textuais, gráficos e mistos (textuais e gráficos)

Entidade detentora

Município de Vila Franca de Xira. Museu do Neo-Realismo

Produtor

Registo Código Tipo de relação Datas da relação
Registo de autoridadeCalado, Jorge. 1938 CAL Produtor

História custodial e arquivística

“Na inesperada aventura que tem sido o meu trabalho no Museu do Neo-Realismo (MNR) desde 2018, a constituição da colecção de fotografia “A Família Humana”, inventada, estudada e agora divulgada por Jorge Calado, é, sem qualquer dúvida, o facto mais extraordinário. Para clarificar estas afirmações (“inesperada aventura” e “facto mais extraordinário”) faço questão de registar, para a pequena história do MNR, o contexto e as circunstâncias. (…)O MNR é, desde as primeiras etapas da sua constituição nos anos de 1990, um museu de História com forte enfoque na história literária, cultural e política. Os seus acervos e colecções são largamente devedores da militância generosa da Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo (dirigida por António Mota Redol) que obteve, junto de escritores, artistas plásticos e arquitectos, a oferta de espólios pessoais relevantíssimos que envolvem manuscritos de obras axiais da cultura neo-realista, correspondência de dimensão inaudita, bibliotecas, obras plásticas (desenho, gravura, pintura, escultura) e sempre núcleos de fotografia com inexcedível valor documental. A riqueza destes acervos e colecções tem sido divulgada através dos catálogos das exposições temporárias do MNR que, desde 2007, se sucedem com regularidade exemplar, pondo à disposição dos públicos interessados, documentação inédita, devidamente estudada por membros da equipa e por especialistas externos.Neste contexto, porquê defender a necessidade de o MNR fazer crescer tão excelentes colecções e acervos, ainda para mais através de compra quando, até agora, eles vão sendo densificados quase só através de ofertas, o que traduz bem a representatividade que muitos cidadãos lhe reconhecem? Retomando o que atrás ficou dito, considero (tal como muitos museólogos) que um museu que se preze deve estimular a generosidade cívica (que está na origem fecunda de tantos deles) mas também adquirir, posicionando-se no mercado de modo sempre peculiar (no campo de limites bem precisos do investimento patrimonialista) dando sinal positivo a artistas e a colecionadores institucionais ou privados. Não sendo uma função museológica básica (como a conservação, estudo e divulgação) a aquisição manifesta o dinamismo voltado ao futuro de um museu e garante-lhe um lugar mais respeitado entre os pares e a comunidade que servimos.Explicado sucintamente o “porquê comprar”, o essencial é, no entanto, “comprar o quê”? Devo dizer que, também neste caso, a reflexão foi direita à decisão. No campo literário (envolvendo todos os seus domínios, algumas adjacências e a imprensa escrita) só excepcionalmente podem surgir oportunidades/necessidades que não são susceptíveis de previsão. No campo das artes plásticas, há desejo e conveniência de aquisição, mas este é um domínio em que o mercado é escasso e, consequentemente, os preços muito elevados. Há, ainda assim, intenções de compra, mas elas são excepcionais e envolvem decisões lentas e indispensável descrição. Pode dizer-se que é uma linha de trabalho em que se está de olhos bem abertos, mas se aceita caminhar em subterrâneo pouco iluminado…Restava como opção clara e fundamentada a fotografia que, desde a sua chegada aos museus (e, antes, aos ateliers dos artistas, aos gabinetes dos cientistas e a casa de alguns, rapidamente alargados em muitos) se tornou a alma axial da nossa cultura técnica, científica e artística. O mundo nunca mais foi o mesmo desde que ela apareceu de vocação incerta e amplitude incomensurável. De facto, o nascimento e generalização, da fotografia é o facto cultural mais importante do século XIX e o interlocutor basilar da memória e da invenção artística. Rapidamente, alguns sectores a reivindicaram como arte, mas o seu cerne é a presentificação da memória que permite fazer desfilar perante nós os mais íntimos, os mais estranhos, os mais belos e os mais dramáticos acontecimentos da História, da escala micro à diversidade dos percursos macro. A fotografia é arte eminentemente democrática, consubstancial à História que abarca em dimensão universalista. Assim, não tive nenhuma dúvida, em 2019 (como não tenho hoje) que era por aí que o MNR se poderia afirmar como museu que compra e coleciona.O 'punctum' (para citar A Câmara Clara de Roland Barthes) foi uma das maravilhosas crónicas de Jorge Calado no jornal Expresso em que dava conta do deleite com que tinha visto em Nova Iorque exposições recentes da fotografia neo-realista italiana, explicitando a sua importância para a compreensão do neorrealismo literário e cinematográfico. Mal terminei a leitura, peguei no telefone e liguei a este homem admirável, cientista, escritor, curador de maravilhosas exposições, divulgador do melhor que se vai fazendo nos domínios da música erudita, da ópera, das artes plásticas e sempre, sempre da fotografia. (…)Sobre o estado presente da colecção “A Família Humana” (…) algumas coisas tenho de referir: meios financeiros mínimos (mas constantes, flexíveis e rápidos); uma teia de apoios e cumplicidades internacionais com comerciantes, fotógrafos e seus herdeiros que se traduz, objectivamente, em oportunidades de compra, na cedência de direitos de reprodução e de várias ofertas ou abatimento de preços; um resgate comovente de nomes de fotógrafos desconhecidos que Jorge Calado oferece à história internacional da fotografia, incluindo espantosas circunstâncias e histórias em que as fotografias foram realizadas; uma orientação conceptual de comovente recorte humanista (a “Família Humana” à escala mundial, incluindo a paisagem, animais e as circunstâncias dos acontecimentos pequenos e grandes); a construção de um potente discurso de história da fotografia em que Portugal, e especialmente Vila Franca de Xira, se integram como lugar distinguido por diversos fotógrafos internacionais (…)” (Raquel Henriques da Silva, 2021).

Fonte imediata de aquisição ou transferência

Compra do Museu do Neo-Realismo; Doações do Produtor: Dr. Jorge Calado; Doações de: António Pedro Ferreira; Cláudio Garrudo; Gary e Anne Cashmore; Isabel Alves; João Mariano; José M. Rodrigues; Luís e Sofia Trindade; Pedro Lobo; Pedro e Victor Bello; Santiago Macias; Tiago Miranda; Valter Vinagre

Âmbito e conteúdo

A Coleção de Fotografia "A Família Humana" foi iniciada pelo Museu do Neo-Realismo em agosto de 2019, através do Dr. Jorge Calado. Esta retoma a ideia da mítica exposição "A Família do Homem" que abriu em 1955 no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque e que viajou então por 37 países (mas não veio a Portugal): mostrar os "sonhos e aspirações da Humanidade, a sua força e desespero perante o mal". Segue também as sete idades do bicho-humano, da infância à velhice - sem esquecer a do soldado - classificadas por William Shakespeare em "Como lhe Aprouver". Pelo caminho fazem-se desvios pela cultura local da Lezíria, abraçam-se as várias religiões e presta-se atenção à vida e obra de um(a) artista singular (Jorge Calado, 2021).Trata-se de uma coleção internacional, centrada nas décadas de 1930-60, que se aproxima do movimento neorrealista (português e estrangeiro), da literatura e do cinema. Esta coleção conta com mais de 580 documentos, não só fotografias, mas também fotogramas e cartazes de filmes associados (em geral) ao movimento neorrealista da fotografia italiana, livros, revistas e programas de sala. Estão representados mais de oitenta países ou territórios dos cinco continentes, através do trabalho de sensivelmente 200 artistas, homens e mulheres de 30 nacionalidades. Entre os mesmos podemos destacar grandes personalidades da história da fotografia, como Bruno Barbey, Edouard Boubat, Jack Delano, Alfred Eisenstaedt, Micha Bar-Am, Morris Engel, Gisèle Freund, Toni Frissell, Tim Gidal, John Gutmann, Ernst Haas, Bert Hardy, Lewis Hine, Henri Huet, Pierre Jahan, Ida Kar, Russell Lee, Nina Leen, Don McCullin, Lennart Nilsson, Willy Ronis, Arthur Rothstein, David Seymour, Erika Stone, Pierre Verger, Otto Karminski, Claude Jacoby, Walker Evans, Bob Henriques, Ferenc Berko, Anders Petersen, Leon Daniel, John Vachon e David Linton. Destacam-se, também, admiráveis fotógrafos portugueses, como Carlos Relvas, Ernesto de Sousa, José M. Rodrigues, Pedro Bello, Rita Barros e João Mariano.

Descritores

Palavras-chave

Neorrealismo; Coleção; Internacional; Fotógrafos; Universalidade; Família; Humanismo; Fotografias; Literatura; Cinema; Século XX

Tipologia documental

Documentos fotográficos, textuais, gráficos e mistos (textuais e gráficos)

Sistema de organização

A Coleção de Fotografia "A Família Humana" encontra-se organizada segundo um critério temático-funcional (alfanumérico), respeitando as seguintes normas: "IPQ, NP 4041, 2005: Normas Portuguesas de Informação e Documentação, Terminologia Arquivística e Conceitos Básicos"; "ISAD(G): Norma Geral Internacional de Descrição Arquivística"; "ODA: Orientações para a Descrição Arquivística". Foram, ainda, seguidos os procedimentos descritos na "Lista de Cabeçalhos de Assunto para Bibliotecas", por Martine Blanc-Montmayeur e Françoise Danset, 1999.É pertinente referir que, num primeiro plano, temos a coleção (C), à qual se seguem, hierarquicamente, as secções (SC), as subsecções (SSC), as séries (SR) e os documentos simples (D) ou compostos (DC). Na organização da coleção "PT/MVFX-MNR/COL/FOT-HUMAN" foi tomada a decisão de incidir sobre um critério de divisão por autores. Assim sendo, ao nível das secções podemos encontrar os autores (maioritariamente fotógrafos, mas também agências, realizadores ou editores), seguindo-se as subsecções países. De seguida temos as séries, que correspondem à organização territorial (regiões, distritos, cidades, vilas, ...). Por fim, temos os documentos simples ou compostos, que correspondem a documentos fotográficos, textuais, gráficos e mistos (textuais e gráficos).Entende-se por documento de arquivo, a informação de qualquer tipo, registada em qualquer suporte, produzida ou recebida e conservada por uma instituição ou pessoa no exercício das suas competências ou atividades. Os documentos que constituem as unidades físicas ou lógicas veiculam informação de diferentes formas. Nos documentos iconográficos a informação é veiculada essencialmente através de um código de imagens (a duas ou aparentemente a três dimensões), como desenhos, pinturas, gravuras ou fotografias. Nos documentos textuais a informação é veiculada através da escrita (manuscritos, datilografados, impressos, apresentação (display) de dados), legíveis com ou sem intervenção de máquina (DGARQ, 2011). Os códigos atribuídos a cada autor (SC) baseiam-se na "IPQ, NP 4041, 2005: Normas Portuguesas de Informação e Documentação, Terminologia Arquivística e Conceitos Básicos", correspondendo às três primeiras letras do apelido do autor (com algumas exceções, devido à repetição de códigos). Relativamente aos países (SSC), é aplicada a "ISO 3166-1 alfa-3: Códigos de três letras para os nomes de países e dependências". Em relação à organização territorial (SR) são utilizadas as três primeiras letras da cidade, por exemplo. Por fim, os documentos fotográficos, textuais, gráficos e mistos encontram-se numerados sequencialmente de 001 a 500 e de 01 a 10, respetivamente.De salientar que a hierarquia referida nem sempre se processa de forma igual, pois é possível que um documento fotográfico esteja integrado diretamente dentro de uma secção, sem necessariamente estar inserido dentro de uma série, subsecção e secção, por exemplo. É aplicado a cada um dos documentos uma cota descritiva numerada sequencialmente, "COL/FOT-HUMAN/três primeiras letras do apelido do autor/número sequencial atribuído pelo Produtor", estando os documentos armazenados pelo número sequencial atribuído pelo Produtor.É, também, importante referir que foram criados registos de autoridade para o produtor desta coleção e para todos os autores intelectuais dos documentos, seguindo o critério de uso das três primeiras letras do apelido do produtor/autor (com algumas exceções, devido à repetição de códigos). Neste processo foi considerada a “ISAAR(CPF): Norma Internacional de Registo de Autoridade Arquivística para Pessoas Coletivas, Pessoas Singulares e Famílias”. Os presentes registos de autoridade contêm todas as informações biográficas, bibliográficas, expositivas e/ou cinematográficas referentes aos sujeitos em questão, tendo sido associados aos documentos com os quais se relacionam. Salienta-se que estas notas são da autoria do produtor desta coleção fotográfica, Dr. Jorge Calado.

Plano de classificação

Centro de Documentação e Espólios Literários (CDEL), Museu do Neo-Realismo (MNR): Classificador alfanumérico, elaborado segundo IPQ, NP 4041, 2005

Condições de acesso

Consulta presencial e pesquisa em base informática online Archeevo

Condições de reprodução

Condições expressas no regulamento do Museu do Neo-Realismo

Localização física depósito

Reservas do Museu; A cada um dos documentos foi aplicada uma cota descritiva numerada sequencialmente: COL/FOT-HUMAN/três primeiras letras do apelido do autor/número sequencial atribuído pelo Produtor; Os documentos encontram-se armazenados pelo número sequencial atribuído pelo Produtor

Idioma e escrita

Português, Inglês, Francês, Italiano, Alemão, Espanhol, Checo, Dinamarquês, Russo, Húngaro

Características físicas e requisitos técnicos

A documentação encontra-se maioritariamente em bom estado de conservação, sendo, no entanto, aconselhável seguir as boas práticas de conservação documental; Documentos acondicionados com papel e caixa de arquivo "acid free"

Instrumentos de descrição

IPQ, NP 4041, 2005: Normas Portuguesas de Informação e Documentação, Terminologia Arquivística e Conceitos Básicos;ISAAR(CPF): Norma Internacional de Registo de Autoridade Arquivística para Pessoas Coletivas, Pessoas Singulares e Famílias; ISAD(G): Norma Geral Internacional de Descrição Arquivística; ISO 3166-1 alfa-3: Códigos de três letras para os nomes de países e dependências;Lista de Cabeçalhos de Assunto para Bibliotecas, por Martine Blanc-Montmayeur e Françoise Danset, 1999;ODA: Orientações para a Descrição Arquivística

Notas

ReferênciasCALADO, Jorge – O carácter da coleção. In MUSEU DO NEO-REALISMO (coord.); MESQUITA, Alberto; CALADO, Jorge; SILVA, Raquel Henriques da (textos) – A família humana. Vila Franca de Xira : Câmara Municipal, 2021. ISBN 978-989-53128-2-5.DIREÇÃO GERAL DE ARQUIVOS. GRUPO DE TRABALHO DE NORMALIZAÇÃO DA DESCRIÇÃO EM ARQUIVO – Orientações para a descrição arquivística. 3.ªv. Lisboa: DGARQ, 2011.SILVA, Raquel Henriques da – A coleção de fotografia do Museu do Neo-Realismo. In MUSEU DO NEO-REALISMO (coord.); MESQUITA, Alberto; CALADO, Jorge; SILVA, Raquel Henriques da (textos) – A família humana. Vila Franca de Xira : Câmara Municipal, 2021. ISBN 978-989-53128-2-5.

Relações com registos de autoridade

Relações com registos de autoridade
Registo Código Tipo de relação Datas da relação
Entidade detentoraMunicípio de Vila Franca de Xira. Museu do Neo-Realismo MVFX-MNR Entidade dententora