Almeida, António Ramos de. 1912-1961, escritor

Available actions

Reader available actions

Available services

 

Almeida, António Ramos de. 1912-1961, escritor

Description details

Record type

Authority record   Authority record

Entity type

Reference code

PT/MVFX-MNR/ALM

Biography or history

"António Ramos de Almeida nasceu a 18 de março de 1912, na cidade de Olinda, Estado de Pernambuco, Brasil. O escritor era filho de Serafim Martins de Almeida, um emigrante português natural de Vila do Conde e residente no Brasil desde os 13 anos, e de Beatriz da Silva Ramos, uma brasileira de ascendência portuguesa, cujo pai, António de Silva Ramos, era também um emigrante português natural da freguesia de Árvore, do concelho de Vila do Conde. Além de António, o casal teve mais dois filhos, Serafim Martins de Almeida Júnior e Rosa Amélia Ramos de Almeida. Evocando esse tempo longínquo de uma infância impregnada de sons, cheiros e afetos caraterísticos da sua terra natal, António Ramos de Almeida recordaria mais tarde "[...] tudo que era simples, inefável, fácil e bom dos tempos da minha infância: brinquedos, canções, fantasmas, histórias, recordações, pessoas [...]".Aos 9 anos de idade (1921) e após ter frequentado uma escola particular, António Ramos de Almeida ingressa no Colégio Salesiano do Sagrado Coração de Jesus, no Recife. Nesse mesmo ano, a família Ramos de Almeida havia visitado Portugal, onde permaneceu por um longo período de tempo, por motivos de saúde do pai de António.Em Agosto de 1924, Serafim Martins de Almeida abandona o Brasil, embarcando com a família a bordo do paquete brasileiro "Rui Barbosa", rumo a Portugal, e instalando-se em Vila do Conde. Até ao que, então, se designava como 5.º ano do liceu, António Ramos de Almeida e os seus irmãos estudam, em regime de internato, no Grande Colégio Universal, no Porto, concluindo António Ramos de Almeida esta fase de estudos no Colégio Almeida Garrett, na mesma cidade. É nesta época que António Ramos de Almeida conhece e convive com uma tertúlia de intelectuais, onde figuram nomes como Casais Monteiro e José Marinho, então estudantes da antiga Faculdade de Letras do Porto. Estes juntavam-se habitualmente num dos cafés da baixa portuense, também frequentado por catedráticos, como Leonardo Coimbra e Teixeira Rego.Em outubro de 1932, António Ramos de Almeida matricula-se no 1.º ano da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra e, ao longo de seis anos, a par dos estudos e com algum prejuízo futuro dos mesmos, colabora em jornais e revistas literárias de Coimbra, afirmando o seu caráter de intelectual progressista, atento aos problemas de um país enclausurado num regime ditatorial.Em julho de 1938, conclui a licenciatura em Direito, com uma tese inovadora para os padrões da época, intitulada "A Teoria Pura do Direito de Hans Kelsen", publicada no Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, em 1939. Datam de 1938 e 1939, respetivamente, os seus livros de poesia, intitulados "Sinal de Alarme" e "Sinfonia de Guerra".Regressa a Vila do Conde em 1939, no contexto da II Grande Guerra e, a 5 de setembro do ano seguinte, é celebrado o seu casamento com Maria Idalina Fernandes Carvalho. O casal teve três filhas: Ana Maria, Maria Manuel e Maria Antónia.Inicia nessa época um exaustivo estudo sobre a vida, o pensamento e a obra de Antero de Quental, publicado sob a forma de ensaio nos "Cadernos Azuis", em três opúsculos, que a censura rapidamente condena e que a PIDE apreende, proibindo a sua circulação. Em março de 1941 escreve o ensaio "A Arte e a Vida", também publicado em opúsculo. No âmbito da conferência que proferiu em 3 de maio de 1944, no Consulado Brasileiro, publica o ensaio apresentado na ocasião, intitulado "A Nova Descoberta do Brasil". Em 1944, publica o livro de poemas "Sêde".Em abril de 1950, muda a sua residência para o Porto, instalando-se, com a família, no 3.º andar de um prédio na Avenida Fernão de Magalhães.Entre 1950 e 1961, desenvolve, a par da carreira de advogado, intensa atividade como jornalista e colaborador - nomeadamente enquanto crítico literário - de vários periódicos e revistas. António Ramos de Almeida cedo manifestou o seu caráter de humanista e um profundo entusiasmo pela política, como pela sociologia, literatura e arte. Nos jornais, destaque-se a sua colaboração em títulos como: "República", "Diário de Lisboa", "O Primeiro de Janeiro", "Diário Popular" e "Jornal de Notícias" (onde chega a dirigir um suplemento literário semanal). Assinale-se também a sua colaboração assídua, como crítico literário, em jornais e revistas de cariz cultural e pendor claro de luta contra o regime, como "Seara Nova", "Presença", "O Diabo", "Sol Nascente", "Manifesto" e "Vértice".Em 1951, com apenas 39 anos de idade, os primeiros sintomas de doença atingem a vida de António Ramos de Almeida, não deixando, desde então, de se agravar o seu estado de saúde. Tal não o impediu, no entanto, de se envolver de modo profundo e entusiasta em atividades de teor político e cultural. Membro do MUD (Movimento de Unidade Democrática), participou ativamente nas campanhas eleitorais das candidaturas presidenciais do Prof. Egas Moniz, do General Norton de Matos, do Almirante Quintão Meireles e do General Humberto Delgado. É, ainda, nestes anos que compôs um laborioso estudo sobre a vida e obra de Eça de Queiroz, publicou o livro "Para a compreensão da cultura no Brasil" e concluiu um trabalho sobre Bernardino Machado, apenas publicado após o 25 de abril de 1974.(...)A 18 de março de 1961, no dia em que completava 49 anos de idade, António Ramos de Almeida sofre um acidente cérebro-vascular, que determina a sua morte no dia 24 do mesmo mês, no Hospital da Ordem da Santíssima Trindade, no Porto.(...)Neste breve apontamento biográfico, não podemos deixar de referir outras vertentes da atividade de António Ramos de Almeida enquanto intelectual empenhado na vida política e cultural. É o caso da sua participação ativa junto do Movimento Associativo de Vila do Conde, onde integrou a direção do Clube Fluvial Vilacondense, e do seu olhar atento e crítico face ao panorama que caraterizava o teatro nacional. É assim que António Ramos de Almeida surge ligado, desde o momento da sua fundação, ao Teatro Experimental do Porto (TEP) e à figura incontornável de António Pedro, num projeto que pretendia fazer ressurgir a arte dramática em Portugal, através da subida a palco de obras clássicas da literatura nacional e estrangeira."Referência[s.n.] (2013). António Ramos de Almeida - Referências biográficas. In Museu do Neo-Realismo, A vida e a arte de António Ramos de Almeida [catálogo de exposição] (pp. 77-84). Vila Franca de Xira, Lisboa: Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, Museu do Neo-Realismo, Fundação Calouste Gulbenkian

Authority relations

Title Relation type Relation dates
FondsEspólio Literário António Ramos de Almeida Produtor